quarta-feira, 20 de maio de 2015

A via bloqueada com violência


Essa via fechada violentamente é a que devemos abrir entre todos e todas com a força da  razão.
A proposta de paz com justiça social, democracia popular, ainda que cheire a pleonasmo, e soberania, sustentada pelas FARC-EP desde sua gênese, explica sua presença na Mesa de Conversações em Havana. Sua convicção na saída dialogada não é um novo invento e muito menos produto de uma suposta derrota militar. A Missão de sua Delegação de Paz não tem fins retorcidos nem duplos. Algo difícil de entender por aqueles que fazem de sua vida um enredo de calúnias.
Perdem seu tempo e esforços os pseudo analistas buscando explicações diz-que profundas a um fato singelo, que consiste em que a luta revolucionária da organização guerrilheira não implica a guerra como um fim, já que a guerra foi imposta pelo estabelecimento e seus determinadores estrangeiros.
No Programa Agrário dos Guerrilheiros, primeiro documento oficial das FARC-EP, proclamado a 20 de julho de 1964 no fragor da resistência em Marquetalia, se explica com clareza o porque da luta armada e os pretextos assumidos pelo regime para a agressão, quando diz:
Nós outros somos revolucionários que lutamos por uma mudança de regime. Porém queríamos e lutávamos por essa mudança usando a via menos dolorosa para nosso povo: a via pacífica, a via democrática de massas. Essa via nos foi bloqueada violentamente com o pretexto fascista oficial de combater supostas ‘repúblicas independentes’ e como somos revolucionários que de uma ou outra maneira jogaremos o papel histórico que nos corresponde, nos restou buscar a outra via: a via revolucionária armada para a luta pelo poder”.
E o pretexto variou com o passar do tempo, de repúblicas independentes cabeça de praia do comunismo internacional passamos a ser narcoguerrilhas e depois claramente narcotraficantes, depois ameaça terrorista, narcoterroristas e por último simplesmente bandidos. Sempre na ideia de vedar toda possibilidade de expressão da legítima rebeldia que encarnamos.
De passagem, o Programa Agrário informa do fracasso das gestões para evitar a guerra, ao afirmar:
Nós outros batemos em todas as portas possíveis em busca de auxílio para evitar que uma cruzada anticomunista, que é uma cruzada contra nosso povo, nos conduzisse a uma luta armada prolongada e sangrenta”
E há que dizê-lo com toda franqueza, faltou força para acabar com o propósito de extermínio e o sonho de solucionar com operações militares os problemas sociais e políticos. Os pobres da Terra se expressaram, também intelectuais de estatura mundial, o âmbito cultural se solidarizou, porém foi insuficiente, os ricos de Colômbia foram insensíveis a essas manifestações, tal como hoje setores dessa oligarquia o são e por isso cobiçam descarrilar o processo de diálogos.
A Guerrilha Fariana nasce empunhando a bandeira da paz com todo vigor.
Também se revela a violência sustentada no tempo contra o povo e suas organizações, pois conta como: “Contra nós outros se desencadearam no curso dos últimos anos quatro guerras: uma, a partir de 1948; outra, a partir de 1954; outra, a partir de 1962; outra, a partir de 18 de maio de 1964, quando os Altos Mandos declaram oficialmente que nesse dia começava a ‘Operação Marquetalia’.”
Algo que corroborou o informe da Comissão Histórica do Conflito e suas Vítimas, uma de suas muitas contribuições ao esclarecimento da verdade histórica.

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Equipe ANNCOL - Brasil

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