sexta-feira, 3 de julho de 2015

Defender o Processo de Diálogo e o cessar-fogo bilateral já!

A grande mobilização pela paz do 9 de abril passado, Dia das Vítimas, levantou como bandeira principal a palavra de ordem de cessar-fogo bilateral, já! Transcorria, então, o cessar-fogo unilateral por tempo indeterminado decretado pelas Farc-EP e a suspensão de bombardeios por um mês por parte do governo, se observavam em todo o território nacional os efeitos positivos de distensão e cresciam as esperanças de uma desescalada real da guerra em correspondência com os avanços relativos porém constantes nos diálogos de Havana.
Hoje, a situação deu uma guinada perigosa. A direita, os meios massivos manipuladores da “opinião pública” e os guerreiristas alegam o suposto “cansaço da sociedade” com o processo de paz e pedem sua terminação abrupta. O governo optou pela via de “intensificar a guerra para alcançar a paz”, o que significa uma guinada para a solução militar, com o que novamente a população civil sofre os efeitos dos teatros de guerra, desembarques massivos de tropa, bombardeios em grande escala, como é o caso de Guapi e Argelia no Cauca, entre muitos outros. É o quadro que Pinzón entrega de herança ao novo ministro de Defesa Luis Carlos Villegas. Santos, Pinzón, Uribe, o Procurador e o Comando Sul coincidem em que há que forçar situações e alcançar “a paz por bem ou por mal”.
Santos se esquece de que há um ano conseguiu sua reeleição com um mandato muito preciso de paz pela dia do diálogo graças ao voto da esquerda. O governo não pode descartar e trair esse mandato. Exigem-no os votantes, os Países Garantidores, os porta-vozes da ONU, o Foro pela Paz de Montevidéu, a opinião internacional e todos os convencidos de que um melhor país em paz é possível. Aqueles que pensam em pôr fim à Mesa de Diálogos aspiram realmente a um golpe de Estado contra o compromisso constitucional da paz ratificado nas urnas. O estabelecimento deve entender que não vai subjugar em alguns meses o que não conseguiu fazer em sessenta anos. A paz e o diálogo tem seus tempos. A solução é política e não militar.
É justo o desejo de que os acordos cheguem o mais breve possível. Porém, o procedimento cruento do diálogo em meio à guerra problematiza a exigência de limites de tempo para a finalização do conflito, quando as forças do poder atual titubeiam entre a camisa de força das chamadas “linhas vermelhas” e as condições indispensáveis para dar saída aos principais temas da agenda da Mesa.
As hostilidades podem cessar. A vitimização cidadã pode terminar. O passo decisivo é o cessar-fogo bilateral sem que tenham que haver concluído ainda o diálogo e os acordos. Não há que pôr datas nem prazos traiçoeiros.
Os comunistas chamamos a defender o processo e a Mesa de Diálogo, a respeitar os avanços alcançados, a prosseguir na busca de acordos, a proteger e acompanhar as comunidades em resistência que se levantam fartas da militarização. Os Países Garantidores, os Governos Acompanhantes e os amigos do continente e do mundo respaldam a via do diálogo, a via política. A participação consciente da cidadania tem que expressar-se em múltiplas iniciativas e formas, em pronunciamentos, declarações, atos públicos, plantões, comícios, marchas nas ruas, ações culturais, concertos, performances, coleta de assinaturas. Milhões de Vedores da paz, como propôs a Frente Ampla. Participação ativa no Encontro pela Paz de 21 e 22 de julho. Presença e compromisso unitário na Grande Mobilização de Unidade pela Paz com justiça social do 23 de julho pelo Cessar-Fogo Bilateral Já!, a desescalada da guerra e o avanço para o fim das hostilidades.

PARTIDO COMUNISTA COLOMBIANO
Bogotá, 25 de junho de 2015 
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Equipe ANNCOL - Brasil

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