sábado, 27 de dezembro de 2014

Carta a um “formador” de opinião

Prezado

Creio que você talvez pudesse começar seu bem elaborado artigo, como o fez, criticando nosso pibinho. Contudo, como estamos em ritmo de festas, você poderia ter compensado a crítica com aquele "mas", presente na mídia, sempre desejosa em querer criar um fato negativo quando a notícia é favorável ao governo, tipo:
   "menos pessoas passam fome no Brasil, mas...ainda 7 milhões padecem desse mal". Ou
   "a inflação vai fechar o ano dentro da meta, mas...em janeiro ela deve ultrapassar o teto ".

Assim, no teu artigo caberia:
    "...mas países europeus desenvolvidos apresentarão crescimento negativo"

Quanto à Petrobrás, não creio que o principal problema da empresa seja o "petrolão", embora ele não pare de crescer. Isso será episódico, embora a um grande custo.
O que nossa petroleira está sendo bombardeada em duas frentes: uma doméstica e outra internacional, ambas procurando desacreditá-la.

O aspecto doméstico está configurado no processo de vazamento seletivo de depoimentos prestados sob delação premiada. Sabe-se que alguns dias antes das eleições, um jornalista de prestígio na mídia dominante, noticiou que informações sigilosas foram fornecidas à Aécio Neves e à Álvaro Dias.

É também notória a campanha anti governo na mídia social, desenvolvida pelos delegados federais que atuam no processo Lava Jato. Já há mais tempo agentes federais praticavam exercício de tiro tendo Dilma como "mosca". Isso tudo sob as vistas do Ministro da Justiça (Zé, o lento) seu superior.

O juiz Moro, sempre tucano de carteirinha, vaza somente nomes de políticos da base de sustentação do governo. Já se disse, não sendo muito difícil comprovar, que a corrupção grassa (sem trocadilho) em vários níveis de governo e desde há muito tempo. Um dos advogados de empreiteiro declarou que:
    "no Brasil não se coloca um paralelepípedo numa rua, sem o pagamento do "por fora ".
Não exatamente nesses termos.

Mas Moro, muito parcimonioso, permite que apenas dois nomes da oposição sejam revelados: o do tucano Sérgio Guerra e o do "socialista" Edmundo Campos. Ambos já no além vejam só!

A esposa do juiz, advogada, presta consultoria ao governo tucano de Beto Richa e pertence a escritório que defende os interesses de subsidiária da Shell, concorrente da Petrobrás.

Quer dizer que, se no decorrer do processo o magistrado conseguir chegar isento até o fim, merecerá uma "estátua de bronze na praça onze".

Já a mídia, por demais interessada na privatização da estatal, começaria por incentivar a mudança do sistema de exploração, de partilha para concessão, esta o sonho dos tucanos e neoliberais desde os tempos da "Petrobrax".

No âmbito internacional a briga é também encarniçada.
Vejamos: o preço do petróleo, já bastante "despencado", ainda não chegou ao fundo do poço. Como o custo de produção da Arábia Saudita se situa em torno de US$5/barril, ainda há muito espaço. Devemos ter presente que os sauditas não pretendem abrir mão da hegemonia de maior produtor mundial. Com preços tão e cada vez mais baixos, os árabes matam cinco coelhos de uma só cajadada: Rússia, Venezuela, país com a maior reserva mundial, o arqui-inimigo Irã, Líbia e outros menos cotados.

E o quinto?

Oras, a nossa Petrobrás que tem um programa de maior investimento mundial em exploração petrolífera;  detém toda a tecnologia de exploração em águas profundas; e agora, com o potencial expressivo do pré-sal, que segundo os estudiosos, será ainda viável com o preço de US$35/barril, podendo se tornar um importante player no tabuleiro mundial da commoditie.

Com essa política, a Arábia Saudita determina que os EUA, seu grande aliado, adie sua exploração de xisto, que ficará estocado à espera de maior emergência e oportunidade. E Obama poderá sapatear sobre o caixão de Putin. A menos que o urso branco recorra à proteção da China, seu mais novo aliado desde o fim da União Soviética. Os dois países possuem um intercâmbio comercial de US$100 bilhões, com novo contrato para 30 anos para o gás russo que atinge US$400 bilhões. A China está numa confortável posição, em cima de uma reserva de US$3,89 trilhões.

Os chineses se preparam para assumir e manter a hegemonia econômica mundial. Começam por dar início à construção do Canal da Nicarágua, alternativa por demais interessante, para escapar da necessidade de utilizar o Canal do Panamá, de domínio americano. Os "amarelos", já em posição de destaque no intercâmbio cultural com diversos países, caminham celeremente para assumir o lugar de maior potência econômica mundial.

O programa chinês de ferrovias é qualquer coisa de impressionante. Com trens que desenvolvem velocidades inimagináveis, estão pretendendo espalhar a malha ferroviária pelos quatro cantos do mundo. Logo, logo o transporte ferroviário, levando e trazendo mercadorias de países longínquos do seu chão, estarão competindo com grande "handicap" com todos os países do mundo.

Então teremos uma nova geopolítica mundial.

Ah, os EUA continuarão com suas guerrinhas.

Enfim, só lamento ter tomado teu tempo com essa longa digressão comentando teu artigo.

Um grande e Feliz Natal para você e familiares.
Abç
Pacheco




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